SUMÁRIO:ApresentaçãoCapitulo 1: Escrita1.1 Estratégias de escrita1.2 MemóriasCapitulo 2: Leitura2.1 Estratégias de leitura2.2 Memórias
ConclusãoConclusão
CAPITULO 1: ESCRITA
1.1 Estratégias de Escrita
Por que escrevemos? As pessoas usam as mesmas técnicas para escrever? O que diferencia um grande escritor? Qualquer um pode escrever bem? Pensando em todas estas questões, passamos a nos observar enquanto escritores e a pesquisar autores consagrados. Desta pesquisa surgiu mais uma questão: estratégia x inspiração e dom. Algumas pessoas (inclusive autores importantes) defendem a idéia de que alguns nascem com o dom de escrever, ou seja, que são pessoas inspiradas e que, portanto, é como se a possibilidade de escrever bem, fosse algo além da pessoa, algo divino. Segundo Rachel de Queiroz, no texto “A ‘inspiração’ não vem para todos” esta é uma visão do senso comum a respeito do escritor: “A noção comum que se tem a respeito do escritor é que pessoas excepcionais, nascidas com o dom de escrever bem o belo, são periodicamente visitadas por uma espécie de iluminação das musas, ou do Espírito Santo, ou de um outro espírito propriamente dito – fenômeno a que se dá o nome de ‘inspiração’. O escritor fica sendo assim uma espécie de agente ou médium, que apenas capta as inspirações sobre eles descidas, manipulando-as no papel graças àquele dom de nascimento que é a sua marca.”
Outros defendem que qualquer um pode escrever bem, desde que treine, reflita e se esforce. Mário de Andrade, por exemplo, era um dos defensores desta idéia. No livro “Cartas a um jovem escritor e suas respostas”, página 25, ele diz: "[...] O prosador lida com a inteligência lógica, está no plano do consciente, das relações de causa e efeito. O seu discurso tem cabeça, tronco e membros, princípio-meio-e-fim, embora pouco importe que muitas vezes o assunto exija que o fim esteja no princípio e o princípio no meio. Não tem disposição? Não se trata de ter disposição: você é um operário como qualquer outro: se trata de ter horas de trabalho. Então, vá escrevendo, vá trabalhando sem disposição mesmo. A coisa principia difícil, você hesita, escreve besteira, não faz mal. De repente você percebe que, correntemente ou penosamente (isto depende da pessoa) você está dizendo coisas acertadas, inventando belezas, forças, etc. Depois, então, no trabalho de polimento, você cortará o que não presta, descobrirá coisas para encher os vazios, etc. etc.[...]”
A palavra dom, traz a idéia de algo divino, com o qual a pessoa supostamente já nasceria e portanto, qualquer dedicação ou esforço maior não faria diferença, pois a pessoa tem ou não tem. Após muitas discussões, achamos interessante em vez de pensar em dom, pensar em potencial. Um potencial que pode sim nascer com a pessoa, mas que pode ser mais ou menos desenvolvido de acordo com diversas questões da vida da pessoa. Já a palavra inspiração, também traz diversas interpretações: desde uma coisa inexplicável, até coisas mais palpáveis, como por exemplo uma boa conversa pode servir de inspiração para a escrita de um texto, ou ler uma poesia, ou assistir um filme, podem servir de inspiração. Em nossa opinião, pensar a inspiração desta segunda maneira faz mais sentido, pois acreditamos que as pessoas são tocadas pelo mundo. Nos tocamos com fatos, falas, filmes, livros, situações vivenciadas... e todas estas coisas podem nos fornecer material para escrever, neste sentido seriam uma fonte de inspiração.
Ainda falando da estratégia x dom e inspiração, percebemos que alguns autores não seguem técnicas específicas e escrevem à medida que sentem vontade ou necessidade, enquanto outros pensam exatamente o que querem causar no leitor e pensam no passo a passo para alcançar seu objetivo. Selecionamos dois autores para exemplificar esta diferença: Clarice Lispector e Edgar Allan Poe. Clarice deu uma única entrevista à TV, que foi em 1977 para a TV Cultura. Quando o entrevistador pergunta: “se você não pudesse mais escrever, você morreria?”e ela responde: “Eu acho que quando eu não escrevo, eu tô morta. [...] é muito duro o período entre um trabalho e outro e ao mesmo tempo é necessário para haver uma espécie de esvaziamento da cabeça para poder nascer alguma outra coisa, se nascer. É tudo tão incerto...”. Então o entrevistador pergunta como ela escreve seus trabalhos e se existe algum horário específico, ao que ela responde: “Em geral é de manhã cedo, né? São as minhas horas preferidas, são as da manhã. Quatro horas e meia, cinco horas eu acordo, fico fumando, tomando café, sozinha. Sem nenhuma interferência... quando eu estou escrevendo alguma coisa, eu anoto a qualquer hora do dia ou da noite. Coisas que me vem... o que se chama inspiração, né? Agora, quando eu tô no ato de concatenar as inspirações, aí eu sou obrigada a trabalhar diariamente.”
Clarice diz também que se surpreende quando fica sabendo que seu livro tocou alguém, aí não se sente sozinha: “Aí sinto que as pessoas estão na minha”. Ela disse que quando escreveu seu livro “A paixão segundo GH”, um professor de português lhe disse que leu quatro vezes e não sabe do que se trata e, no dia seguinte, uma jovem de 17 anos, universitária, disse que é seu livro de cabeceira. Clarice conclui: “Ou toca ou não toca. Eu suponho que entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato.”.
Edgar Allan Poe faz um contraponto com Clarice em diversos sentidos. Enquanto ela não se preocupava tanto com o leitor, escrevendo apenas por necessidade, como ela mesma dizia, Poe, em seu texto “A filosofia da composição” deixa claro como seu objetivo é tocar o leitor e que isto não tem nada a ver com inspiração: “[...] Meu propósito consiste em demonstrar que nenhum ponto da composição pode ser atribuído à intuição ou à sorte; e que aquela avançou até seu término, passo a passo, com a mesma exatidão e lógica rigorosa de um problema matemático.”
Citando o Chiarelli (2009): “[...]Ele começou pensando o que queria fazer, onde queria chegar, o que queria causar nos leitores. Então pensou que tipo de texto seria melhor para alcançar esse objetivo, que tipo de sentimento caberia melhor, que tipo de personagens, que frase poderia se repetir... sendo que esta frase teria que ter a sonoridade que ele desejava. Ele pensava nas letras das palavras, que letras juntas alcançariam a sonoridade desejada. E assim, pensando de forma absolutamente milimétrica, seu texto foi aparecendo e todos os objetivos que ele queria foram alcançados.”. Segundo Königsberger (2009): “Quão previsível podem ser os efeitos causados na alma humana. Como nós seres humanos podemos ser calculáveis! Como a matemática é mais humana do que nos faz imaginar nossa escolaridade! Como fiquei encantada com o conhecimento profundo e milimétrico que Poe demonstra tanto sobre a construção de um poema, como também sobre a construção da emoção humana. Joga-nos à nudez crua da emoção tão antes idolatrada e aparentemente espontânea em nós mesmos. Como um cálculo. A matemática vem de nós! Isso não é menos belo e sim mais humano. Nada celestial apenas. E hoje em dia nada me comove mais do que a criação que é do homem e não remetida a algo além de nós, da grandeza do que somos capazes de criar!”.
Dois grandes autores. Dois modos completamente diferentes de encarar a escrita. Podemos dizer o que é mais certo? Ou mais indicado? Mais apropriado? Ou ambos são eficientes para as necessidades e objetivos de cada autor? O método de escrever deve ser singular ou deve haver critérios a se seguir? As perguntas continuam.
1.2 Memórias
Segundo Chiarelli (2009), a escrita faz parte dela, pois não passa um dia sem escrever, têm vários cadernos nos quais registra seus sentimentos, sensações, pensamentos, dúvidas, angústias, medos, tristezas, alegrias... não se imagina longe da escrita. Relata que teve uma longa fase da vida em que escrevia cartas para suas amigas, num desabafo e troca de confidências. Eram cartas grandes, com uma dramaticidade típica da adolescência.
Já Rodrigues (2009) conta que sempre gostou de escrever, mesmos antes de se alfabetizar já adorava rabiscar em cadernos que sua mãe comprava. Porém, a escrita só veio ter maior significado para ela, no início da adolescência, quando começou a escrever cartas para sua avó a qual era sua confidente e grande amiga. Em seguida deixou de escrever cartas para sua avó e se dedicou a escrever no seu diário, onde contava sobre meus amores da juventude, suas tristezas e alegrias, segundo ela, lhe fazendo muito bem, pois com o uso das palavras conseguia expressar tudo o que não conseguia com a fala.
Segundo Diniz(2009), antes de ser matriculada na escola, já tinha interesse pala escrita, gostava de observar seus irmãos quando estavam fazendo os deveres de casa, e quando encontrava uma oportunidade aproveitava para fazer seus primeiros rabiscos.
Sempre pedia para ir para à escola com os seus irmãos, mais como não tinha idade para ingressar, ela lembra que sua mãe sempre lhe proporcionava alguns materiais escolares para o manuseio, como livros, caderno, lápis e etc. Quando adolescente também fez uso de diário, adorava relatar acontecimento do seu dia- dia, suas aventuras, dúvidas e sonhos, mil e uma coisas que só conseguia socializar com o seu amigo diário. Acredito que os que nos move a escrever é a necessidade de suprir o medo do novo, pois através da escrita conseguimos socializar, o que muitas vezes não conseguimos usando somente a fala.
Königsberger (2009) relata que quando tinha, mais ou menos 12 ou 13 anos, estudava em uma escola que se preocupava em apresentar as matérias e conteúdos de forma contextual e interessante para seus alunos. Transformando conteúdos notoriamente áridos da gramática em conteúdos encantadores. Ela relata que a didática trabalhada era tão interessante que lhe incentivou, junto com a melhor amiga, a brincar com o assunto. Competiam para ver quem primeiro terminava a análise sintática e esperava a professora corrigir, para saber quem tinha feito corretamente. Ela fala que nem sempre se dava bem, porém o prazer e o gosto pelo tema se mantiveram no seu processo de escrita.
Segundo Julia: “O que inspira cada ser humano a escrever varia muito de acordo com o que o toca. Se são os fatos do mundo, se são seus próprios sentimentos que o atormentam, se é a busca de uma resposta cuja pergunta o inquietou, isso configura uma vasta gama de inspirações. (2009)”
Em entrevista, João Cabral Neto, nos mostra o seu pensamento sobre algumas questões ligadas à escrita. Nos fala que os desinteresses dos escritores brasileiros por textos teóricos têm relação com a inspiração. Os brasileiros ainda acreditam em inspiração; pensa que pode ter um bom desempenho se baseado apenas no improviso.
João Cabral não acredita em inspiração, mas em coisas concretas, diz-nos que a poesia, a arte, citando a obra de Picasso, não passa de construção, algo que é planejado para conseqüentemente ter um belo desfecho.
Podemos pensar que alguns sentimentos nos impulsionam à atuação da escrita, como as dúvidas, as emoções, entre outros. Não existe prática sem teoria, sem pelo menos um breve planejamento, como também não existe teoria que não tenha nascido de uma prática. Sendo assim creio que inspiração nada mais é do que uma busca por estimulo.
CAPITULO 2: LEITURA
2.1 Estratégias de leitura
Segundo Barthes (1988), a leitura dispersa a atenção, dissemina as possibilidades de sentido na medida em que o leitor projeta no texto que lê suas representações, idéias, imagens, estimulado pelo próprio texto. Para ele existe no texto algo tão inexplicável que nem o dicionário poderia dar conta, a leitura seria um texto escrito em nossa cabeça. Mas Barthes (1988) adverte que a leitura não é uma construção que o leitor faz aleatoriamente ou por seus próprios critérios, ela segue normas e associações dentro de códigos, listas de estereótipos, ou seja, a leitura por mais subjetiva que seja não passa de um jogo conduzido a partir de certas regras. Essas regras vêm da nossa cultura, algo que existe antes do nosso nascimento. (estratégias que utilizamos durante e depois da leitura) A leitura teve inicio há muito tempo, segundo Manguel (1997) quando aconteceu à primeira incisão de uma figura de argila, surgiu ao mesmo tempo o leitor, um papel que nasceu antes mesmo de o primeiro leitor adquirir presença física. Com o passar dos anos a leitura foi sendo modificada, até o século I era feita em voz alta, pelos filósofos e pensadores da época, tanto sozinhos como em suas oratórias aos seus discípulos. Para os pensadores dessa época, a leitura em voz alta dava as palavras mortas do papel o poder de voar, dar vida. Era importante ouvir o som das palavras, pois ler era uma forma de pensar e falar. Com o tempo foi surgindo o hábito de ler em silencio, Santo Agostinho, no ano de 383, em suas confissões foi o primeiro a registrar essa passagem, descrevendo a leitura feita por Santo Ambrosio: “Quando ele lia, seus olhos perscrutavam a pagina e seu coração buscava sentido, mas sua voz ficava em silencio e sua língua quieta”. A leitura silenciosa só se tornou pratica usual no Ocidente no século X. Com o tempo a leitura foi se tornando pratica usual para todas as pessoas, e o desejo de ver o filho lendo era almejado por muitos pais. Graciliano Ramos (1998) nos conta que o interesse pela leitura para ele surgiu atrás do balcão do armazém de seu pai, olhando alguns folhetos com marcas que ele desconhecia. O pai vendo o interesse do menino quis lhe ensinar a ler, mas não tendo muita aptidão, transformou esse momento em um grande tormento na vida do filho. Segundo Graciliano, deu-se inicio a escravidão imposta ardilosamente, onde todo o tempo se consumia nela. Quando ele ouvia o pai chamá-lo levava um baque por dentro e dirigia-se a sala gelado. Mas para João Ubaldo Ribeiro (1995), esse processo foi bem mais tranqüilo, pois vinha de uma família de leitores, e seu pai assim que o colocou na escola, fez questão de comprar todos os livros infantis que encontrou na biblioteca local.A leitura também ocupa um papel importante em nossas vidas e esse começo foi bastante prazeroso, como relata Königsberger em suas memórias sobre leitura: “Minhas primeiras memórias a respeito de livros e histórias vem da mesa!Minha mãe tinha um hábito de ler para nós (meu irmão e eu) enquanto tomávamos sopa, SOPA DE LETRINHAS. Tenho uma lembrança quente desses livros, suas capas, suas ilustrações e seu enredo. Ao longo desses jantares saboreávamos atentamente a sopa e a história, ansiosos sempre por seu desfecho. É emocionante lembrar desses momentos e em como foram se transformando ao longo do tempo. Nós íamos crescendo e o mundo letrado foi se mostrando para nós naquele momento de mesa.” (KÖNIGSBERGER, 2009)Os pais são muito importantes nesse processo, tanto par incentivá-lo como para influenciá-lo, isso foi o que nos contou Chiarelli nos seus relatos sobre leitura: “Meu pai e minha mãe sempre trabalharam e estudaram muito. Eu os via em meio a jornais, livros, relatórios e muitos papéis com anotações. Também tenho a imagem dos dois deitados na cama, antes de dormir, cada um lendo um livro, então eu pegava um para mim também! Aliás, trago até hoje este hábito de ler antes de dormir.Acredito que com tantas influências e uma pré disposição minha também, a leitura e a escrita passaram a fazer parte da minha vida de maneira bastante intensa. Fui crescendo e continuei em escolas que estimulavam estes dois hábitos e fui passando a me apaixonar por diversas histórias e autores. De ‘Lúcia já vou indo’, para as aventuras de Emília no ‘Sítio do Pica pau amarelo’, passando por contos de fadas diversos, indo parar em Anne Frank, depois Fernando Pessoa, Vinícios de Moraes, Clarice Lispector...” (CHIARELLI,2009) Diniz (2009) também deve seus primeiros contato com a leitura através dos pais: “O meu primeiro contato com o mundo da leitura deu-se através da minha família. Ao anoitecer meus pais reunia os filhos na varanda, todos sentavam em volta do meu pai, então ele começava a contava histórias, falava de sua infância. Como brincadeiras e músicas tradicionais, rodas e cantigas de roda”. Para muitos a leitura começou em casa, desde muito pequenos, na mesa durante o jantar ou na cama na hora de dormir, para outros, ela só veio mais pra frente, já na adolescência, mesmo assim não deixou de ser importante: “O primeiro livro que li foi um pouco mais tarde, pois eu já estava com onze anos e foi na escola (ler par fazer uma prova) [...] nunca me esqueci desse livro “O mistério do cinco estrelas” de Marcos Rey. Eu fiquei fascinada com a historia e principalmente por ter um livro – ele era meu” A leitura é sem duvida fundamental para nossa vida e muitos escritores falam nela de forma até engraçada, mas verdadeira, como Monteiro (p. 143): “Há pouco tempo ouvi em Gijón a escritora argentina Graciela Cabal falar em publico [...] veio dizer que um leitor tem uma vida muito mais longa que as outras pessoas, porque não morrem antes de acabar um livro que está lendo [...]”
Com certeza muitos de nós não morrerá tão cedo, pois a leitura faz parte da nossas vidas, como podemos ver nos relatos a baixo:
[...]Peguei o livro (Paixão Índia) e li a primeira página e não parei mais de ler. Com o passar das páginas fui me sentindo mais calma, mais relaxada, já não sentia mais aquela angustia, meu coração desacelerou e eu relaxei. A leitura me prendeu ali na sala, deitada no sofá, me deliciando a capa página, como a meses eu não fazia[..] (RODRIGUES,2009)
[...]hoje tenho muito apego, gosto muito de ler, mas tenho pouco tempo para exercer essa prática, porém nos momentos em que tenho a oportunidade, como no trem ou mesmo na hora do meu almoço sempre pego algo que me desperte o interesse[...] (DINIZ,2009)
Mais do que ler em voz baixa para o nosso prazer, outra pratica bastante presente em nossas vidas como educadoras e mães, é a leitura em voz alta que para nós é muito importante ‘[...] A criança que não aprendeu a ler ainda depende da leitura ouvida para conhecer o mundo letrado através da leitura ouvida, ela vai entrando em constato com diversos generos literários, conhecendo as particularidades de cada um [...]” (RODRIGUES, 2009) “[...]Para mim, um momento muito especial da leitura em voz alta é nas rodas de história com as crianças da escola em que trabalho. Todos se concentram no que estou lendo, ficam com os olhos ávidos, prestam atenção nos detalhes, no desenrolar do enredo, no som e significado das palavras, aumentam seu vocabulário, conhecimento de mundo e ampliam o campo da imaginação e fantasia [...]” (CHIARELLI, 2009)
CONCLUSÃO : “a leitura é a apoteose da escrita”Como pudemos refletir, durante todo nosso trabalho, desde os primeiros contatos com o tema de nossa disciplina “Práticas de Leitura e Escrita: Como se Lê, Como se Escreve”, até as maiores reflexões geradas por discussões em sala e a leitura de textos, a escrita e a leitura estão ligadas em seus primórdios. Embora as didáticas usadas para seu ensino sejam diferentes, elas estão desde sempre, intrinsecamente ligadas. Sontag (2001), em um lindo texto a respeito da escrita, concorda com esta ligação entre escrita e leitura: “[...] Primeiramente porque escrever é praticar, em especial intensidade e atenção, a arte de ler. Você escreve para ler o que escreveu, ver se esta bom e, é claro que nunca está, reescrever – uma vez, duas, quantas forem necessárias para que fique algo que você suporte reler. Você é seu próprio leitor e talvez o mais severo.[...] [...] É difícil imaginar escrever sem reler. [...]Eu precisava ler o que escrevia e não apenas escutar. [...] Para Sontag, ler geralmente precede o escrever. O impulso de escrever é quase sempre despertado pela leitura. A leitura, o amor pela leitura, é o que faz você sonhar em tornar-se escritor. E, muito depois de você ter se tornado escritor, ler os livros escritos por outros – e reler os livros que amou no passado – constitui uma distração irresistível da escrita. Pensemos no nascimento da escrita, como podemos acompanhar no texto de Manguel(2000, p.x) , “Com um único ato – a incisão de uma figura sobre uma tabuleta de argila -, o primeiro escritor anônimo consegui de repente ter sucesso [...]” [...] mas escrever não é o único invento que nasceu no instante daquela primeira incisão: uma outra criação aconteceu no mesmo momento. Uma vez que o objetivo do ato de escrever era que o texto fosse resgatado – isto é lido -, a incisão criou simultaneamente o leitor, um papel que nasceu antes mesmo de o primeiro leitor adquirir presença física.[...] Como diz Manguel, o escritor era um fazedor de mensagens, criador de signos, mas esses signos e mensagens precisavam de um mago que os decifrasse, que reconhecesse seu significado, que lhes desse voz. Escrever exigia um leitor. A relação primordial entre escritor e leitor apresenta um paradoxo maravilhoso: ao criar o papel do leitor, o escritor decreta também a morte do escritor, pois, para que um texto fique pronto, o escritor deve se retirar, deve deixar de existir. Enquanto o escritor está presente, o texto continua incompleto. Somente quando o escritor abandona o texto é que este ganha existência. Nesse ponto, a existência do texto é silenciosa, silenciosa até o momento em que o leitor o lê. Somente quando olhos capazes fazem contanto com as marcas da tabuleta é que o texto ganha vida ativa. Toda escrita depende da generosidade do leitor. [...] [...] Trata-se de uma relação frutífera, mas anacrônica, entre um criador primordial que da à luz no momento da morte e um criador post-mortem que possibilitam que a criação fale e sem os quais toda escrita está morta. Desde os primórdios, a leitura é a apoteose da escrita.
Referências
BARTHES, Roland. O rumor da língua. Trad. Mário Laranjeira, São Paulo: Brasiliense, 1988.
CADERNOS DE LITERATURA BRASILEIRA. João Cabral de Melo Neto. São Paulo: Instituto Moreira Salles, n. 1, março 1996.
CHIARELLI, L. A minha história de leitura e escrita. Disponível em: http://luannapedagogia.blogspot.com/. 17/06/2009
DINIZ, A. Meu processo de leitura. Disponível em: http://lenadiniz.blogspot.com/. 17/06/2009
KÖNIGSBERGER, J. G. Sopa de Letrinhas. Disponível em: http://escritosdajulia.blogspot.com/. 17/06/2009
MANGUEL, A. Uma história da leitura.Trad. Pedro Maia Soares. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
MONTEIRO, R. A louca da casa. Rio de Janeiro: Ediouro.
QUEIROZ, R. A “inspiração” não vem para todos. São Paulo: O Estado de São Paulo, Caderno 2, 22/03/2003.
RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1998.
RIBEIRO, J. U. Memórias de Livros. In: RIBEIRO, j. u. Um brasileiro em Berlim. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995, p. 137.
RODRIGUES, F. A leitura me acalma. Disponível em: http://fabi-adoroler.blogspot.com/. 17/06/2009
SONTAG, S. Mergulho num mar gelado. São Paulo: Folha de São Paulo, Mais!, 18/03/2001.
POE, E. A.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Paul Auster
"Eu não sei de onde elas (as idéias) vêm, mas existe alguma imagem, alguma voz dentro de mim, e as coisas começam a se formar. Mas nunca pensei em escrever um livro sobre isso ou aquilo. Geralmente vem de dentro, não é nada que eu tenha visto. Os personagens principais, sem que eu mesmo saiba, estão vivendo dentro de mim e tentam me dizer alguma coisa. Edevo dizer que tenho mais idéias para livros do que tempo para escrever. Isso é uma confissão muito estranha: acho trabalhar supercansativo, me consome muito, eu me sinto exausto no fim do dia. Quando saio daqui, em vez de pensar no livro em que estou trabalhando, penso no próximo. Então estou sempre escrevendo dois livros. É uma forma de aliviar a pressão."
Fonte: VILLELA, Heloisa. O Globo, 8 de dezembro de 1991.
Paul Auster nasceu em 1945, em Nova Jersey, EUA.
Fonte: VILLELA, Heloisa. O Globo, 8 de dezembro de 1991.
Paul Auster nasceu em 1945, em Nova Jersey, EUA.
domingo, 31 de maio de 2009
Para retomar João Cabral
Pois é, não havia escrito sobre "Catar Feijão". Acho que não tinha entrado no ritmo. Quis retomar, acho que vale, mesmo 2 meses depois. Valeria se fossem dois anos...
A experiência de lê-lo, daquela maneira que foi feita em sala, está mais que viva em minha memória.
A primeira coisa que fiz ao pegar o texto, não foi nem ler seu título. Foi, sim, ler o nome do autor. Pronto! Que maravilha de texto será! Difícil, por certo. Porém, lindo sem dúvida.
Assim, sob esses óculos, meus olhos percorreram o texto. Uma, duas, três vezes... Acho que deu.
Primeira leitura: o que?
Segunda leitura: ler = catar feijões. Garimpo.
Terceira leitura: será "a pedra" o ponto final. Quando a frase é interrompida dá-se a ela o "seu grão mais vivo": seu sentido! Algo em mim fez sentido.
A leitura me remeteu ao meu colegial, momento tão intenso e inebriador quanto João Cabral. Foi nessa fase de minha vida que me deparei com esse autor que tanto enriqueceu a língua portuguesa.
Bom, então discutimos em sala o texto. Oh, como é bom uma leitora experiente e profunda para nos ler em voz alta e "traduzir-nos" o que até então não havíamos conseguido ler. Tal qual os leitores em voz alta faziam à seus ouvintes não alfabetizados. De fato, não sou alfabetizada em João Cabral.
Minha terceira leitura havia sido insuficiente e, "a pedra" não era o ponto final... Não há problema, a beleza do que eu acabará de ouvir não diminuiu a beleza de minha terceira leitura e nem a efêmera alegria que tivera ao pensar que o comprendera. De qualquer maneira, ele é um tesouro de nossa língua!
A experiência de lê-lo, daquela maneira que foi feita em sala, está mais que viva em minha memória.
A primeira coisa que fiz ao pegar o texto, não foi nem ler seu título. Foi, sim, ler o nome do autor. Pronto! Que maravilha de texto será! Difícil, por certo. Porém, lindo sem dúvida.
Assim, sob esses óculos, meus olhos percorreram o texto. Uma, duas, três vezes... Acho que deu.
Primeira leitura: o que?
Segunda leitura: ler = catar feijões. Garimpo.
Terceira leitura: será "a pedra" o ponto final. Quando a frase é interrompida dá-se a ela o "seu grão mais vivo": seu sentido! Algo em mim fez sentido.
A leitura me remeteu ao meu colegial, momento tão intenso e inebriador quanto João Cabral. Foi nessa fase de minha vida que me deparei com esse autor que tanto enriqueceu a língua portuguesa.
Bom, então discutimos em sala o texto. Oh, como é bom uma leitora experiente e profunda para nos ler em voz alta e "traduzir-nos" o que até então não havíamos conseguido ler. Tal qual os leitores em voz alta faziam à seus ouvintes não alfabetizados. De fato, não sou alfabetizada em João Cabral.
Minha terceira leitura havia sido insuficiente e, "a pedra" não era o ponto final... Não há problema, a beleza do que eu acabará de ouvir não diminuiu a beleza de minha terceira leitura e nem a efêmera alegria que tivera ao pensar que o comprendera. De qualquer maneira, ele é um tesouro de nossa língua!
Texto Prometido: Análise sintática.
Na época da escola, deveria eu ter uns 12 ou 13 anos se não me engana a memória, dirvetia-me muito. Tinha, como de costume, uma grande amiga, "indesgrudável". Divertíamos com muitas coisas e muitas conquistas naquela época, porém, uma era de fato inusitada. Divertíamos em fazer análise sintática em nossas aulas de Português.Estudávamos em uma escola que sempre se preocupou em apresentar as matérias e conteúdos de forma contextual e interessante para seus alunos. Dessa maneira, ao nos depararmos com os conteúdos notóriamente áridos da gramática, encantamo-nos. E mais, além disso, o assunto fei-nos tanto sentido que inventamos de brincar com ele. Sentávamos próximas uma da outra e competíamos para ver quem primeiro terminava a análise sintática, e, corrigidas pela professora, quem a tinha feito corretamente. Nem sempre era eu quem se dava bem, porém o prazer e o gosto pelo tema se manteve e foi atualmente reavivado.Imaginem que surpresa a minha, ao me deparar aqui, nesta faculdade, com essa professora, que estava em mim guardada envolta em tão boas memórias. E é a ela que dedico esse texto com muito afeto e gratidão, minha querida Márcia.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
A leitura ouvida
Ao pensar na leitura ouvida, penso nas crianças. São elas, em sua maioria que hoje usufruem dessa possibilidade. Penso que a leitura ouvida tráz uma grande quantidade de “aprendizagens” em si.
Primeiro, transmite ao ouvinte o prazer que o leitor tem em ler algo. Esse é um exemplo, um comportamento que o ouvinte pode vir a adquirir, o tal do comportamento leitor.Também transmite ao ouvinte um conteúdo, uma informação, uma história, que ele por si só não seria capaz de alcançar nesse momento (exatamente com nos séculos passados). Tráz ao ouvinte, enfim, um universo novo, ao qual ele ainda não pertence, mas deve desejar e admirar para que possa (se tiver oportunidade) percorrer o caminho que o leve a ele
Primeiro, transmite ao ouvinte o prazer que o leitor tem em ler algo. Esse é um exemplo, um comportamento que o ouvinte pode vir a adquirir, o tal do comportamento leitor.Também transmite ao ouvinte um conteúdo, uma informação, uma história, que ele por si só não seria capaz de alcançar nesse momento (exatamente com nos séculos passados). Tráz ao ouvinte, enfim, um universo novo, ao qual ele ainda não pertence, mas deve desejar e admirar para que possa (se tiver oportunidade) percorrer o caminho que o leve a ele
O que fazemos quando lemos?
Meu processo de leitura.
Interessante ter passado a observá-lo a partir dessa disciplina.
O Modelo Construtivista de leitura é o que mais me identifico.
Tenho um hábito antigo, da época de minha primeira faculdade. Lia muito, textos densos e que muito me interessavam. Textos difíceis e de difícil compreensão para uma jovem, tão jovem quanto eu era.
Porém, desde aquela época gostava de anotar a data da primeira leitura ao final daquele texto, depois da segunda e assim por diante. É claro, ou não tanto assim, que a cada vez que lia, algo se apresentava de novo naquelas idéias tão densas e profundas. Sempre aprendia mais. Para mim, as datas eram como marcos de crescimento e maturidade em relação àquela teoria, a qual fui me aprofundando ao longo de minha profissionalização. Enfim, “o sentido de um texto pode se fazer de forma diferente para diferentes indivíduos” como também para diferentes leitores que existem em um mesmo indivíduo!
Interessante ter passado a observá-lo a partir dessa disciplina.
O Modelo Construtivista de leitura é o que mais me identifico.
Tenho um hábito antigo, da época de minha primeira faculdade. Lia muito, textos densos e que muito me interessavam. Textos difíceis e de difícil compreensão para uma jovem, tão jovem quanto eu era.
Porém, desde aquela época gostava de anotar a data da primeira leitura ao final daquele texto, depois da segunda e assim por diante. É claro, ou não tanto assim, que a cada vez que lia, algo se apresentava de novo naquelas idéias tão densas e profundas. Sempre aprendia mais. Para mim, as datas eram como marcos de crescimento e maturidade em relação àquela teoria, a qual fui me aprofundando ao longo de minha profissionalização. Enfim, “o sentido de um texto pode se fazer de forma diferente para diferentes indivíduos” como também para diferentes leitores que existem em um mesmo indivíduo!
DEPOIS
Curiosa sensação, fiquei muito mais instigada ao ler “A filosofia da composição” de Edgar Allan Poe, do que “O corvo”. Quão previsível podem ser os efeitos causados na alma humana. Como nós seres humanos podemos ser calculáveis! Como a matemática é mais humana do que nos faz imaginar nossa escolaridade! Como fiquei encantada com o conhecimento profundo e milimétrico que Poe demonstra tanto sobre a construção de um poema, como também sobre a construção da emoção humana. Joga-nos à nudez crua da emoção tão antes idolatrada e aparentemente espontânea em nós mesmos. Como um cálculo. A matemática vem de nós! Isso não é menos belo e sim mais humano. Nada celestial apenas. E hoje em dia nada me comove mais do que a criação que é do homem e não remetida a algo além de nós, da grandeza do que somos capazes de criar!
domingo, 17 de maio de 2009
POE
De tão escuro e dúbio sai meu comentário.
Poema árido e belo. Duro.
A noite as imagens são outras, a emoção se esfumaça e sonho e vigília quase se confundem.
Ah como na noite tudo pode ser mais intenso!
Algo aqui me levou a um poema de amor, poema de Jonh Donne que trago para compartilhar.
Elegia
"Deixe que minha mão errante
Adentre atrás, na frente,
Em cima, em baixo, entre
Minha América
Minha terra a vista
Reino de paz se um homem
Só a conquista
Minha mina preciosa
Meu império, feliz
De quem penetre o teu mistério
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão
Me selo gravo
Nudez total
Todo prazer provém do corpo
Como a alma em seu corpo
Sem vestes, como encadernação cristosa
Feita para iletrados
A mulher se enfeita,
Mas ela é um livro místico
E somente a alguns a que tal graça
Se consente é dado lê-la.
Eu sou um que sabe..."
John Donne foi um poeta inglês que nasceu em 1572.
Poema árido e belo. Duro.
A noite as imagens são outras, a emoção se esfumaça e sonho e vigília quase se confundem.
Ah como na noite tudo pode ser mais intenso!
Algo aqui me levou a um poema de amor, poema de Jonh Donne que trago para compartilhar.
Elegia
"Deixe que minha mão errante
Adentre atrás, na frente,
Em cima, em baixo, entre
Minha América
Minha terra a vista
Reino de paz se um homem
Só a conquista
Minha mina preciosa
Meu império, feliz
De quem penetre o teu mistério
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão
Me selo gravo
Nudez total
Todo prazer provém do corpo
Como a alma em seu corpo
Sem vestes, como encadernação cristosa
Feita para iletrados
A mulher se enfeita,
Mas ela é um livro místico
E somente a alguns a que tal graça
Se consente é dado lê-la.
Eu sou um que sabe..."
John Donne foi um poeta inglês que nasceu em 1572.
terça-feira, 24 de março de 2009
Gestar
Tenho passado por uma espécie de gestação, à maneira de Raquel de Queiroz. Tenho em mim um tema a escrever. Um assunto que muito me cativa e cujas idéias recentes, a mim apresentadas, me fomentaram mais desejo ainda de pensar/escrever sobre tal. Estou aguardando. Listei vários tópicos que já estão definidos, mas o embrião aguarda o momento de, crescendo, virar bebê e nascer.
segunda-feira, 23 de março de 2009
O Pai
“[...] olhando com os olhos do pai aquilo que o pai não vê.[...]”[1] Não é assim que passamos a vida? Imaginando como o Outro nos vê, pretendemos saber o que pensará de nós e nessa ginástica de suposições, de muito provável erro, escrevemos apenas como nós mesmos consideramos bom. Será então este Outro em nós quem regula nossa própria crítica? E nada além disso?
[1] Queiroz Raquel, Escrever. O Estado de São Paulo, 25-03-2000.
[1] Queiroz Raquel, Escrever. O Estado de São Paulo, 25-03-2000.
domingo, 22 de março de 2009
Rápida experiência
Hoje surpreendi-me com a possibilidade de silenciar o mundo ao meu redor. Estava eu na sala, no meio de meus três filhos que assistiam Tarzan na televisão, quando resolvi ler mais um pouco do livro de Manuel Bandeira. Sentei-me próxima a eles e no meio da confusão sonora fui capaz de abstrair os sons e me concentrar plenamente na leitura! Fantástico.

“Na minha vida pessoal fui verificando que meu esforço consciente só resultava em insatisfação, ao passo que o que me saía do subconsciente, numa espécie de transe ou alumbramento, tinha ao menos a virtude de me deixar aliviado de minhas angústias."
Bandeira, Manuel. Itinerário de Pasárgada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Análise sintática.
Na época da escola, deveria eu ter uns 12 ou 13 anos se não me engana a memória, dirvetia-me muito. Tinha, como de costume, uma grande amiga, "indesgrudável". Divertíamos com muitas coisas e muitas conquistas naquela época, porém, uma era de fato inusitada. Divertíamos em fazer análise sintática em nossas aulas de Português.
Estudávamos em uma escola que sempre se preocupou em apresentar as matérias e conteúdos de forma contextual e interessante para seus alunos. Dessa maneira, ao nos depararmos com os conteúdos notóriamente áridos da gramática, encantamo-nos. E mais, além disso, o assunto fei-nos tanto sentido que inventamos de brincar com ele. Sentávamos próximas uma da outra e competíamos para ver quem primeiro terminava a análise sintática, e, corrigidas pela professora, quem a tinha feito corretamente. Nem sempre era eu quem se dava bem, porém o prazer e o gosto pelo tema se manteve e foi atualmente reavivado.
Imaginem que surpresa a minha, ao me deparar aqui, nesta faculdade, com essa professora, que estava em mim guardada envolta em tão boas memórias. E é a ela que dedico esse texto com muito afeto e gratidão, minha querida Márcia.
Estudávamos em uma escola que sempre se preocupou em apresentar as matérias e conteúdos de forma contextual e interessante para seus alunos. Dessa maneira, ao nos depararmos com os conteúdos notóriamente áridos da gramática, encantamo-nos. E mais, além disso, o assunto fei-nos tanto sentido que inventamos de brincar com ele. Sentávamos próximas uma da outra e competíamos para ver quem primeiro terminava a análise sintática, e, corrigidas pela professora, quem a tinha feito corretamente. Nem sempre era eu quem se dava bem, porém o prazer e o gosto pelo tema se manteve e foi atualmente reavivado.
Imaginem que surpresa a minha, ao me deparar aqui, nesta faculdade, com essa professora, que estava em mim guardada envolta em tão boas memórias. E é a ela que dedico esse texto com muito afeto e gratidão, minha querida Márcia.
Sopa de letrinhas
Minhas primeiras memórias a respeito de livros e histórias vem da mesa!
Minha mãe tinha um hábito de ler para nós (meu irmão e eu) enquanto tomávamos sopa, SOPA DE LETRINHAS. Tenho uma lembrança quente desses livros, suas capas, suas ilustrações e seu enredo. Ao longo desses jantares saboreávamos atentamente a sopa e a história, ansiosos sempre por seu desfecho. É emocionante lembrar desses momentos e em como foram se transformando ao longo do tempo. Nós íamos crescendo e o mundo letrado foi se mostrando para nós naquele momento de mesa.
Bom, lá pelos 6 anos, minha mãe começou a me fazer desafios. Pedia, depois de lida a história, ou mesmo antes dela, que eu procurasse em minha sopa as letras do meu nome. Tempos depois pedia que procurasse as letras do nome dela e de meu pai. Já em processo de alfabetização escolar, o desafio se ampliou e passava, então, a caçar, entre uma colherada e outra, os nomes de avós, tios e tias.
Assim, dessa forma lúdica e saborosa, passei a me interessar pelo mundo das palavras. Desde então brinco de escrever. Fiz minhas primeiras poesias logo depois de alfabetizada e durante muito tempo tive o hábito de escrever toda vez que meus sentimentos não cabiam mais em mim.
Hoje em dia escrevo muito menos. O tempo, a falta dele, me tolhe a escrita.
Minha mãe tinha um hábito de ler para nós (meu irmão e eu) enquanto tomávamos sopa, SOPA DE LETRINHAS. Tenho uma lembrança quente desses livros, suas capas, suas ilustrações e seu enredo. Ao longo desses jantares saboreávamos atentamente a sopa e a história, ansiosos sempre por seu desfecho. É emocionante lembrar desses momentos e em como foram se transformando ao longo do tempo. Nós íamos crescendo e o mundo letrado foi se mostrando para nós naquele momento de mesa.
Bom, lá pelos 6 anos, minha mãe começou a me fazer desafios. Pedia, depois de lida a história, ou mesmo antes dela, que eu procurasse em minha sopa as letras do meu nome. Tempos depois pedia que procurasse as letras do nome dela e de meu pai. Já em processo de alfabetização escolar, o desafio se ampliou e passava, então, a caçar, entre uma colherada e outra, os nomes de avós, tios e tias.
Assim, dessa forma lúdica e saborosa, passei a me interessar pelo mundo das palavras. Desde então brinco de escrever. Fiz minhas primeiras poesias logo depois de alfabetizada e durante muito tempo tive o hábito de escrever toda vez que meus sentimentos não cabiam mais em mim.
Hoje em dia escrevo muito menos. O tempo, a falta dele, me tolhe a escrita.
terça-feira, 10 de março de 2009
Sobre a inspiração
Escrevo depois de uma curta discussão, ocorrida em sala de aula, a respeito do que move um escritor a escrever. Uma discussão em que opiniões diversas se apresentaram e a dúvida que permaneceu foi: "O que é inspiração?".
A pergunta me moveu a redigir meu próprio texto. A pergunta me incentivou.
Tentar esclarecer, para mim mesma, a questão, me trouxe à essas palavras. Será que todos que escrevem tem uma fonte incomum que os move? Será que todos os escritores são movidos à um mesmo tipo de sentimento, ou pensamento, que os levam à escrita? Imagino que não. Entendo que a fonte impulsora do hábito de escrever, deve variar muito de acordo com o uso que cada um faz da escrita. Um repórter, por exemplo, é movido a acontecimentos, notícias, para escrever uma matéria. Assim como todos os profissionais jornalistas, a algo do real do mundo que os leva à escrita. Já os poetas...
Os poetas, me parece, precisam de algo muito mais interior do que exterior para escrever. É claro que estando no mundo, os acontecimentos a seu redor o tocam e o impelem a escrever sobre eles. Mas penso que o que move o poeta é muito mais o que é seu, de seu mundo interno, do que o que é de todos, o mundo real. A própria escolha das palavras, a maneira menos usual de dizer o que se pretende, é como um sintoma do dizer mais profundo do escritor.
Nesse mesmo pensamento, seguem os romancistas, que criam suas histórias que tanto nos entretem. O que os move a escrever? Da onde surgem essas histórias? Pergunta um tanto pretenciosa, mas me leva novamente à inspiração...
Bom, a mim, o que me moveu foi a discussão que deixou na dúvida uma necessidade de resposta. Resposta essa que não vêm mas que aumenta a indagação, pois refletindo neste texto imagino que não exista uma resposta, mas milhões. O que inspira cada ser humano, varia muito de acordo com o que o toca. Se são os fatos do mundo, se são seu próprios sentimentos que o atormentam, se é a busca de uma resposta cuja pergunta o inquietou, isso configura uma vasta gama de inspirações, se é que isso é possível!
A pergunta me moveu a redigir meu próprio texto. A pergunta me incentivou.
Tentar esclarecer, para mim mesma, a questão, me trouxe à essas palavras. Será que todos que escrevem tem uma fonte incomum que os move? Será que todos os escritores são movidos à um mesmo tipo de sentimento, ou pensamento, que os levam à escrita? Imagino que não. Entendo que a fonte impulsora do hábito de escrever, deve variar muito de acordo com o uso que cada um faz da escrita. Um repórter, por exemplo, é movido a acontecimentos, notícias, para escrever uma matéria. Assim como todos os profissionais jornalistas, a algo do real do mundo que os leva à escrita. Já os poetas...
Os poetas, me parece, precisam de algo muito mais interior do que exterior para escrever. É claro que estando no mundo, os acontecimentos a seu redor o tocam e o impelem a escrever sobre eles. Mas penso que o que move o poeta é muito mais o que é seu, de seu mundo interno, do que o que é de todos, o mundo real. A própria escolha das palavras, a maneira menos usual de dizer o que se pretende, é como um sintoma do dizer mais profundo do escritor.
Nesse mesmo pensamento, seguem os romancistas, que criam suas histórias que tanto nos entretem. O que os move a escrever? Da onde surgem essas histórias? Pergunta um tanto pretenciosa, mas me leva novamente à inspiração...
Bom, a mim, o que me moveu foi a discussão que deixou na dúvida uma necessidade de resposta. Resposta essa que não vêm mas que aumenta a indagação, pois refletindo neste texto imagino que não exista uma resposta, mas milhões. O que inspira cada ser humano, varia muito de acordo com o que o toca. Se são os fatos do mundo, se são seu próprios sentimentos que o atormentam, se é a busca de uma resposta cuja pergunta o inquietou, isso configura uma vasta gama de inspirações, se é que isso é possível!